Eu sou do tipo de pessoa que não se comove facilmente diante de coisas como o seqüestro da Eloá. Não que eu ache legal ou merecido, apenas sou indiferente. Por esse motivo já não aguento mais ouvir falar no caso em absolutamente todos os lugares que vou, em todos os programas que assisto ou todos os jornais que leio. Mas se teve algo que gostei de ler sobre isso foi um post do Felipe Neto no blog Controle Remoto. Ele conseguiu passar em um texto o que eu penso sobre essa comoção popular que ocorre em todo caso desse tipo. Quem quiser ler, leia, quem não quiser, sinta-se a vontade para pular para o próximo post.
Por Felipe Neto:
Incrível e inacreditável. São as palavras que resumem a resolução do meu estudo feito no dia de hoje, 20/10/2008.
Neste dia, decidi publicar uma piadinha intencional a respeito do “caso da menina Eloá”. Piada esta cuja intenção, para aqueles de mente livre e interpretação correta da sociedade, soava apenas como divertida. Nada estupidamente cômico, nem tampouco com objetivo de ofender a citada falecida. Já para aqueles que se prendem a falsos valores e morais, além de se deixar influenciar e guiar pela mídia escrota do Brasil, interpretaram como uma verdadeira tentativa de apoio ao Lindemberg.
Pois bem. O meu plano era justamente colher material para concluir o óbvio: Brasileiro é um povo estúpido.
Como esperado, recebi uma verdadeira chuva de emails e comentários deploráveis, que iam desde a promessa de nunca mais retornar ao blog como ao extremo de me xingar de “assassino”.
Como sempre, caguei.
O post que venho aqui trazer é o resultado deste estudo.

Primeiro fato incontestável: Brasileiro ama um mártir. Para um povo desnutrido, sem trabalho, sem sonhos, sem esperanças, com a inteligência de um camelo e completamente analfabeto (e percebam que não estou me referindo no literalismo), puxar heróis da sociedade é algo que soa como necessário.
Utilizando esta poderosa ferramenta de controle do povo, somos obrigados, então, a engolir uma manipulação escrota e nociva lançada pelos principais meios de comunicação, evidenciando, neste caso, a televisão.
Para o ignorante e de fraco espírito, a festa está pronta.
Chega a hora do almoço, liga a TV para ver a Eloá. Chega do trabalho, vê a Eloá. Senta-se a mesa para o jantar, comenta sobre a Eloá. Deixa-se levar pelo falso moralismo e finge que se importa, finge tanto que passa a tratar esta importância como verdade pessoal. Quando, na referida verdade, está pouco se importando.
Eu lhe pergunto: Quem é Eloá?
Você sabe? Você realmente sabe?
Não. Seu único conhecimento sustenta-se sobre o que foi o “caso Eloá”. Mas quem ela era? Quais seus gostos? Seus valores? O que ela fazia quando acordava? Qual seu filme preferido? Quem é Eloá?
Você não sabe. Porque está cagando para a Eloá. O que você gosta, o que você sente tesão, o que você realmente fica de pau duro é em saber que aconteceu um seqüestro e um malvado vilão matou a sangue frio a indefesa mocinha. Ah, como isso é prazeroso para um povo sem vida, para um povo em preto e branco.
Qual era mesmo o nome da menina assassinada no ônibus 174?
Transforma uma garota cujo único papel reconhecido na sociedade foi tomar uma bala na cabeça, em heroína, em guerreira. E eu pergunto: Por quê?!
O clichê ainda serve: Como ela, milhares e milhares e MILHARES de pessoas morrem, todos os meses, vítimas de ‘monstros’. O que difere estas pessoas mortas, da menina Eloá, dentro de sua mente?
O Jornal Nacional, a CBN, a Folha de São Paulo, whatever. O que difere é a forma como você se deixa manipular, o como você é fraco. Seja homem, porra! Construa seus próprios valores, torça por quem realmente influencia a SUA vida, fique triste e chore pela perda de SEUS próximos, daqueles que você conhece. Não viva a vida santificando mártires, pois eles, por mais trágicas tenham sido suas mortes, não o merecem. Não! Não o merecem. Ninguém é exemplo porque foi assassinado, ou se assim o fosse, glorificaríamos milhões.
Qual era mesmo o nome da menina assassinada no ônibus 174?
Então volto ao centro do Blog e em como o estudo foi suficiente para provar a estupidez de um povo.
Ao publicar a piada, quis observar a reação e a forma como muitos tratam a menina como a uma filha, sangue de seu sangue. Dói, sangra e chora como se aquilo fosse uma realidade próxima.
Fracos de mente, de espírito e de energia, deixam-se inundar por um negativismo incalculável, proveniente desta manipulação vinda dos meios comunicativos. E este negativismo, leitores, só trará mais e mais cargas negativas para seu dia-a-dia.
Rir dos fatores da vida, sejam eles negativos ou positivos, é uma ferramenta que ajuda a libertar a mente de um povo. O famoso ‘humor negro’, tão aplicado em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, não é apenas um bobeirol sem objetivos. Ele liberta, ajuda e faz com que as pessoas compreendam tudo isso citado acima. Nesses locais, as casas de espetáculo ficam entupidas para ouvir alguém passar 2 horas satirizando coisas extremamente pesadas da sociedade. E não tenham dúvidas, a morte de Eloá seria um prato cheio para ironias e sátiras, que renderiam inúmeras gargalhadas.
Aqui no Brasil, um país de estúpidos guiados por um falso moralismo e tão facilmente manipulados, o humor negro não tem vez. É tachado como grosso, insensível, ofensivo e filho da puta. Uma pena, uma verdadeira lástima.
Você não conhece Eloá. Sua morte não lhe diz respeito nem tampouco lhe atinge.
Você esquecerá quem foi Eloá dentro de muito pouco tempo. Sua importância será reduzida a zero. Sua passagem pela Terra? Uma sombra, um nada, um vazio. Tudo isso porque, ao invés de tirarmos o lado positivo de tudo que acontece nesta porra de país, prendemo-nos somente aos negativos, cuja mente humana já está programada a expelir e superar com o passar dos dias.
Matamos os mortos. Simplesmente, matamos os mortos.
E para os que não souberam responder. Seu nome era Geísa Firmo Gonçalves.
E você está CAGANDO pra ela.
…
Libertem-se.